sexta-feira, 22 de maio de 2009

E agora, um desenho da minha colaboradora, a Catarina Verdier, afectivamente intitulado "auto-caricatura à Edika":

A técnica é mista: aguarela, tinta preta e notem os riscos a lápiz na contra-capa do caderno e a sua representação "arte-finalizada" junto à caneta.
Mede 14,7 por 10,5 cm.

^^^ Acima, uns estudos em que a Catarina reproduziu o estilo do desenhador francês referido no título da caricatura.

Nascido no Egipto em 1940, Édouard Karali, mais conhecido como Édika, é um dos pilares da revista francesa "Fluide Glacial" desde os anos 80, a par de Binet e Goossens, e a eles se deve, segundo o que me é dado perceber, a longevidade da revista*: 34 anos!

Abaixo, a capa da segunda Fluide que eu comprei, de uma longa colecção, nesse longínquo Agosto de 1991, e onde pela primeira vez descobri a obra desse autor:

A história intitula-se "O álibi de Max":

Max é um "bebé humilhado", segundo as suas próprias palavras, mas a sua recusa em acomodar-se a tal situação leva-o a planear com afinco (como se percebe pelo equipamento que escondeu debaixo da almofada) uma emocionante fuga nocturna até à mais próxima cabine telefónica onde poderá apresentar livremente uma queixa oficial ao procurador da república...
Regressará depois a casa sem levantar suspeitas e aguardará a célere intimição do tribunal, sendo o caso uma grande surpresa para os pais que descobrem tudo na manhã seguinte, no jornal, com a agravante de não terem roupa para se apresentarem perante o juíz...

^^^ Acima, a segunda metade da primeira página onde se inicia o retrato (sequencial) dos pais da pobre criança maltratada, que acabará presa por suposta falsificação de provas, e sem álibi...

[Abaixo, um exemplo de como Édika não se coibe de encher as suas páginas, e margens, de texto:]

O conteúdo da "Fluide Glacial" foi durante muitos anos apresentado a preto e branco (e sem publicidade) até aquele fatídico mês de Agosto de 2003 em que se pôde ler na capa dessa publicação a seguinte informação: «Escandaloso! 8 páginas a cores».
Édika era o primeiro autor a publicar uma história inteiramente a cores****, de que mostro agora dois excertos:

A ideia é simples e recorrente na sua obra: estamos na praia, os "musculosos" (os "outros") é que ficam com as "gajas boas" ("elas"), e o herói (um alter-ego do autor) sente-se mal com isso.
Mas, surpresa: ele ficou de ir comprar um gelado à mulher e descobre uma máquina de "ganhar músculo", a qual, pela modesta quantia de dois euros (o preço do gelado) o habilitará também, pensa ele, a seduzir umas quantas...

Como de costume, o intento não correrá conforme planeado.

Parece-me haver aí qualquer coisa de, como hei-de dizer... crítica social, não acham?
E a fala da personagem na última vinheta? «É uma escolha corneliana mas 'tou-me a cagar para Corneille»...
Fantástico!

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*: Desde há muitos anos à venda em Portugal, ainda hoje** ostenta na sua capa o preço de venda para o nosso rectângulozinho extremo-europeu, o que significa que apesar de parecer voar abaixo do radar da nossa crítica "especializada", deve haver alguns leitores interessados*** nesta herdeira cultural da "Mad" norte-americana dos anos 50.
**: O número mais recente que possuo data do verão de 2008.
***: Se bem que francofonamente privilegiados, portanto em vias de extinção.
****: De muitos já que a Fluide é agora toda a cores. (Mas ainda sem publicidade).

3 comentários:

Anónimo disse...

adoro o EDIKÁ!!! E OS DESENHOS DA CATARINA À EDIKÉTB!

ATÓMICO disse...

Não existe traduzido para português, Miguel?

Miguel Moreira disse...

Boa pergunta...