A primeira página de "As Aventuras de Bernardo Soares, Ajudante de Guarda-livros na Cidade de Lisboa...", a preto e branco...
... porque o problema com a minha intenção inicial é que, ao preservar o ineditismo das dez páginas sem palavras que compõem esta história dentro da história, sou obrigado a descurar por uns tempos este blogue, e aparentemente deixá-lo ao abandono, o que não pretendo fazer, nem depois desta banda-desenhada estar completamente acabada.
Sendo assim, optei por divulgá-la e manter apenas o ineditismo da cor (da responsabiliddade da Catarina), até à sua eventual e desejada publicação em livro.
Partilharei também alguns aspectos da sua criação:
- o trapo enrodilhado que B.S. aqui vê da sua janela é aquele que Pessoa descreve no seguinte trecho do "Livro do Desassossego", com data de 25/12/1929.
- os chinelos velhos e rotos, em particular o esquerdo, também são aí referidos.
terça-feira, 24 de abril de 2012
terça-feira, 20 de março de 2012
A quinta meia-página do terceiro grupo de 5 m-p da conclusão (Z-e) ou, por outras palavras, a última das trezentas meias-páginas desta banda-desenhada...
... seguida da também última página, a nº 152:
Na realidade, apesar de esta ser de facto a última página da BD, não será, na sua forma final (de livro), a nº 152; é que antes da conclusão desta história* serão inseridas as dez páginas de um pequeno livro dentro do livro, com capa e contracapa próprias, cujo tema será o "Livro do Desassossego".
--------------------------------------------
*: Para mais detalhes sobre a sua estrutura, ver o seguinte post.
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O seu título é "As Aventuras de Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa..." e versa um dia inteiro da vida desse «sub-heterónimo», nas palavras do próprio Pessoa.
Não penso divulgá-las aqui - prefiro preservar o seu ineditismo até à eventual e desejada publicação desta história em livro.
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^^^ : O último escrito de Fernando Pessoa.
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Nota: O céu estrelado foi ideia da colorista... Excelente ideia!
... seguida da também última página, a nº 152:
Na realidade, apesar de esta ser de facto a última página da BD, não será, na sua forma final (de livro), a nº 152; é que antes da conclusão desta história* serão inseridas as dez páginas de um pequeno livro dentro do livro, com capa e contracapa próprias, cujo tema será o "Livro do Desassossego". --------------------------------------------
*: Para mais detalhes sobre a sua estrutura, ver o seguinte post.
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O seu título é "As Aventuras de Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa..." e versa um dia inteiro da vida desse «sub-heterónimo», nas palavras do próprio Pessoa.
Não penso divulgá-las aqui - prefiro preservar o seu ineditismo até à eventual e desejada publicação desta história em livro.
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^^^ : O último escrito de Fernando Pessoa.--------------------------------------------
Nota: O céu estrelado foi ideia da colorista... Excelente ideia!
domingo, 18 de março de 2012
A quarta meia-página do terceiro grupo de 5 m-p (o último) da conclusão (Z-d):


- O título desta meia-página é a designação que Fernando Pessoa usou para assinar anonimamente um poema de 29-3-1935, anti-salazarista, que, segundo me lembro de ler, faz parte de um conjunto do mesmo género que o poeta preparava para distribuir clandestinamente:
Este senhor Salazar
É feito de sal e azar.
Se um dia chove,
A água dissolve
O sal,
E sob o céu
Fica só azar, é natural.
Oh, c'os diabos!
Parece que já choveu...
- No primeiro quadradinho, as duas primeiras estrofes de outro desses poemas, de 29-7-1935, e no terceiro, as duas últimas.
- O famoso artigo contra a lei contra a maçonaria que tanto deu que falar à época está disponível para consulta no "Arquivo Pessoa",assim como o texto em que o próprio Pessoa analisa os efeitos da sua "bomba", um «dinamite de verdade com um invólucro de raciocínio» e com um «rastilho de humorismo».
A referência aos "nacionalistas dissidentes" que causaram o "desleixe" nos serviços de censura necessário à publicação de tal «dinamite de verdade com um invólucro de raciocínio» é baseada no recente estudo de José Barreto sobre todo este caso, no seu livro "Associações Secretas e Outros Escritos":
- Muito mais haveria a comentar a propósito desta meia-página, mas agora simplesmente não posso.


- O título desta meia-página é a designação que Fernando Pessoa usou para assinar anonimamente um poema de 29-3-1935, anti-salazarista, que, segundo me lembro de ler, faz parte de um conjunto do mesmo género que o poeta preparava para distribuir clandestinamente:Este senhor Salazar
É feito de sal e azar.
Se um dia chove,
A água dissolve
O sal,
E sob o céu
Fica só azar, é natural.
Oh, c'os diabos!
Parece que já choveu...
- No primeiro quadradinho, as duas primeiras estrofes de outro desses poemas, de 29-7-1935, e no terceiro, as duas últimas.
- O famoso artigo contra a lei contra a maçonaria que tanto deu que falar à época está disponível para consulta no "Arquivo Pessoa",assim como o texto em que o próprio Pessoa analisa os efeitos da sua "bomba", um «dinamite de verdade com um invólucro de raciocínio» e com um «rastilho de humorismo».
A referência aos "nacionalistas dissidentes" que causaram o "desleixe" nos serviços de censura necessário à publicação de tal «dinamite de verdade com um invólucro de raciocínio» é baseada no recente estudo de José Barreto sobre todo este caso, no seu livro "Associações Secretas e Outros Escritos":
- Muito mais haveria a comentar a propósito desta meia-página, mas agora simplesmente não posso.
sábado, 17 de março de 2012
A terceira meia-página do terceiro grupo de 5 m-p (o último) da conclusão (Z-c)...


... seguida da página nº 151...
... e da página dupla nº 150-151, do livro aberto:
-------------------------------------------
O Rossio na década de 1920:
-------------------------------------------
Agostinho da Silva, no ano de 1937:
Fernando Dacosta, no seu livro "Os Mal-Amados", transmite-nos (em parte?) o que Agostinho lhe contou sobre o seu convívio com Fernando Pessoa, conversa essa de que reproduzo aqui metade - as "confidências" de Pessoa (uma) ficam de fora, e dizem respeito a Ofélia Queirós:
-------------------------------------------
Quanto à data da morte de Fernando Pessoa, calculada astrologicamente pelo próprio, o recente livro de Paulo Cardoso, de que voltarei aqui a falar, é bastante elucidativo.


... seguida da página nº 151...
... e da página dupla nº 150-151, do livro aberto:
-------------------------------------------O Rossio na década de 1920:
-------------------------------------------Agostinho da Silva, no ano de 1937:
Fernando Dacosta, no seu livro "Os Mal-Amados", transmite-nos (em parte?) o que Agostinho lhe contou sobre o seu convívio com Fernando Pessoa, conversa essa de que reproduzo aqui metade - as "confidências" de Pessoa (uma) ficam de fora, e dizem respeito a Ofélia Queirós:
-------------------------------------------Quanto à data da morte de Fernando Pessoa, calculada astrologicamente pelo próprio, o recente livro de Paulo Cardoso, de que voltarei aqui a falar, é bastante elucidativo.
quarta-feira, 14 de março de 2012
A segunda meia-página do terceiro grupo de 5 m-p (o último) da conclusão (Z-b)...
... seguida da última m-p do grupo anterior (Y-e), corrigida:
------------------------------------------
O signo astrológico de Fernando Pessoa foi referido nesta BD logo no fim das primeiras cinco meias-páginas, de introdução contida na introdução (as primeiras quinze m-p), como podem a seguir constatar:




... seguida da última m-p do grupo anterior (Y-e), corrigida:
------------------------------------------O signo astrológico de Fernando Pessoa foi referido nesta BD logo no fim das primeiras cinco meias-páginas, de introdução contida na introdução (as primeiras quinze m-p), como podem a seguir constatar:




domingo, 19 de fevereiro de 2012
A última meia-página do segundo grupo de 5 m-p (de 3) da conclusão (Y-e):
- Os fragmentos do ensaio "Way of the Serpent" estão disponíveis no seguinte link.
- Na página nº 395 da 1ª edição do livro "Encontro Magick" (da Hugin Editores, de 2001) é transcrita a seguinte passagem:
- "O Último Sortilégio":
«Já repeti o antigo encantamento
E a grande Deusa aos olhos se negou.
Já repeti, nas pausas do amplo vento,
As orações cuja alma é um ser fecundo.
Nada me o abismo deu ou o céu mostrou.
Só o vento volta onde estou toda e só,
E tudo dorme no confuso mundo.
«Outrora meu condão fadava as sarças
E a minha evocação do solo erguia
Presenças concentradas das que esparsas
Dormem nas formas naturais das coisas.
Outrora a minha voz acontecia.
Fadas e elfos, se eu chamasse, via,
E as folhas da floresta eram lustrosas.
«Minha varinha, com que da vontade
Falava às existências essenciais,
Já não conhece a minha realidade.
Já, se o círculo traço, não há nada.
Murmura o vento alheio extintos ais,
E ao luar que sobe além dos matagais
Não sou mais do que os bosques ou a estrada.
«Já me falece o dom com que me amavam.
Já me não torno a forma e o fim da vida
A quantos que, buscando-os, me buscavam.
Já, praia, o mar dos braços não me inunda.
Nem já me vejo ao sol saudado erguida,
Ou, em êxtase mágico perdida,
Ao luar, à boca da caverna funda.
«Já as sacras potências infernais,
Que, dormentes sem deuses nem destino,
À substância das coisas são iguais,
Não ouvem minha voz ou os nomes seus.
A música partiu-se do meu hino.
Já meu furor astral não é divino
Nem meu corpo pensado é já um Deus.
«E as longínquas deidades do atro poço,
Que tantas vezes, pálida, evoquei
Com a raiva de amar em alvoroço,
Inevocadas hoje ante mim estão.
Como, sem que as amasse, eu as chamei,
Agora, que não amo, as tenho, e sei
Que meu vendido ser consumirão.
«Tu, porém, Sol, cujo ouro me foi presa,
Tu, Lua, cuja prata converti,
Se já não podeis dar-me essa beleza
Que tantas vezes tive por querer,
Ao menos meu ser findo dividi —
Meu ser essencial se perca em si,
Só meu corpo sem mim fique alma e ser!
«Converta-me a minha última magia
Numa estátua de mim em corpo vivo!
Morra quem sou, mas quem me fiz e havia,
Anónima presença que se beija,
Carne do meu abstracto amor cativo,
Seja a morte de mim em que revivo;
E tal qual fui, não sendo nada, eu seja!»
- Os fragmentos do ensaio "Way of the Serpent" estão disponíveis no seguinte link.
- Na página nº 395 da 1ª edição do livro "Encontro Magick" (da Hugin Editores, de 2001) é transcrita a seguinte passagem:
- "O Último Sortilégio":«Já repeti o antigo encantamento
E a grande Deusa aos olhos se negou.
Já repeti, nas pausas do amplo vento,
As orações cuja alma é um ser fecundo.
Nada me o abismo deu ou o céu mostrou.
Só o vento volta onde estou toda e só,
E tudo dorme no confuso mundo.
«Outrora meu condão fadava as sarças
E a minha evocação do solo erguia
Presenças concentradas das que esparsas
Dormem nas formas naturais das coisas.
Outrora a minha voz acontecia.
Fadas e elfos, se eu chamasse, via,
E as folhas da floresta eram lustrosas.
«Minha varinha, com que da vontade
Falava às existências essenciais,
Já não conhece a minha realidade.
Já, se o círculo traço, não há nada.
Murmura o vento alheio extintos ais,
E ao luar que sobe além dos matagais
Não sou mais do que os bosques ou a estrada.
«Já me falece o dom com que me amavam.
Já me não torno a forma e o fim da vida
A quantos que, buscando-os, me buscavam.
Já, praia, o mar dos braços não me inunda.
Nem já me vejo ao sol saudado erguida,
Ou, em êxtase mágico perdida,
Ao luar, à boca da caverna funda.
«Já as sacras potências infernais,
Que, dormentes sem deuses nem destino,
À substância das coisas são iguais,
Não ouvem minha voz ou os nomes seus.
A música partiu-se do meu hino.
Já meu furor astral não é divino
Nem meu corpo pensado é já um Deus.
«E as longínquas deidades do atro poço,
Que tantas vezes, pálida, evoquei
Com a raiva de amar em alvoroço,
Inevocadas hoje ante mim estão.
Como, sem que as amasse, eu as chamei,
Agora, que não amo, as tenho, e sei
Que meu vendido ser consumirão.
«Tu, porém, Sol, cujo ouro me foi presa,
Tu, Lua, cuja prata converti,
Se já não podeis dar-me essa beleza
Que tantas vezes tive por querer,
Ao menos meu ser findo dividi —
Meu ser essencial se perca em si,
Só meu corpo sem mim fique alma e ser!
«Converta-me a minha última magia
Numa estátua de mim em corpo vivo!
Morra quem sou, mas quem me fiz e havia,
Anónima presença que se beija,
Carne do meu abstracto amor cativo,
Seja a morte de mim em que revivo;
E tal qual fui, não sendo nada, eu seja!»
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
A quarta meia-página do segundo grupo de 5 m-p (de 3) da conclusão (Y-d):


Segue-se a anterior aparição nesta BD de Jaime Neves, médico e primo de Pessoa, no longínquo ano de 1913 (m-p II-B-III-2-a)...
... e o poema de Mário de Sá-Carneiro, "Aquele Outro" (m-p III-B-I-3-d), que o famoso poema de Pessoa, "Autopsicografia", ilustra, ou contextualiza (ou será o contrário? - ou ainda o contrário?):


Segue-se a anterior aparição nesta BD de Jaime Neves, médico e primo de Pessoa, no longínquo ano de 1913 (m-p II-B-III-2-a)...
... e o poema de Mário de Sá-Carneiro, "Aquele Outro" (m-p III-B-I-3-d), que o famoso poema de Pessoa, "Autopsicografia", ilustra, ou contextualiza (ou será o contrário? - ou ainda o contrário?):
domingo, 5 de fevereiro de 2012
A segunda meia-página do segundo grupo de 5 m-p (de 3) da conclusão (Y-b):
O títitulo desta m-p é uma referência ao lema "thelemita" de Aleister Crowley («faze o que tu queres será o todo da Lei», ou em inglês «do what thou wilt shall be the whole of the Law»), mas segundo a versão analítica do próprio Pessoa, tal como é encontrada (por ex.) no livro "Fernando Pessoa e os Mundos Esotéricos", de José Manuel Eanes:
«Descobre aquilo que és; descobre o que aquilo que és deseja; faz o que desejas enquanto aquilo que és».
Segundo Miguel Roza, no livro "Encontro Magick", essa "oração" tem no original inglês um simbolismo numérico e contém onze palavras - como podem constatar, o título desta m-p também.
---------------------------------------------
- Os três primeiros directores da revista "presença" (sem maiúscula) - da esquerda para a direita - João Gaspar Simões, José Régio e Branquinho da Fonseca:
- Hanni Jaeger, a "Mulher Escarlate" de Aleister Crowley (uma delas), também conhecida como "O Monstro":
- O monstro, peço desculpas, "A Besta 666", ou "Mestre Therion" - Aleister Crowley:
---------------------------------------------
P.S.: A expressão «o seu "exílio" (que é ele-mesmo)» (último quadradinho) é do próprio F.P. - em carta de 11-9-1929 a Ofélia Queirós (a 1ª da 2ª fase do namoro) Fernando escreve: «ao meu exílio, que sou eu mesmo, a sua carta chegou como uma alegria lá de casa».
O títitulo desta m-p é uma referência ao lema "thelemita" de Aleister Crowley («faze o que tu queres será o todo da Lei», ou em inglês «do what thou wilt shall be the whole of the Law»), mas segundo a versão analítica do próprio Pessoa, tal como é encontrada (por ex.) no livro "Fernando Pessoa e os Mundos Esotéricos", de José Manuel Eanes:«Descobre aquilo que és; descobre o que aquilo que és deseja; faz o que desejas enquanto aquilo que és».
Segundo Miguel Roza, no livro "Encontro Magick", essa "oração" tem no original inglês um simbolismo numérico e contém onze palavras - como podem constatar, o título desta m-p também.
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- Os três primeiros directores da revista "presença" (sem maiúscula) - da esquerda para a direita - João Gaspar Simões, José Régio e Branquinho da Fonseca:
- Hanni Jaeger, a "Mulher Escarlate" de Aleister Crowley (uma delas), também conhecida como "O Monstro":
- O monstro, peço desculpas, "A Besta 666", ou "Mestre Therion" - Aleister Crowley:
---------------------------------------------P.S.: A expressão «o seu "exílio" (que é ele-mesmo)» (último quadradinho) é do próprio F.P. - em carta de 11-9-1929 a Ofélia Queirós (a 1ª da 2ª fase do namoro) Fernando escreve: «ao meu exílio, que sou eu mesmo, a sua carta chegou como uma alegria lá de casa».
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