quinta-feira, 24 de julho de 2008

Depois de adquirir a "Pessoana - Bibliografia Passiva, Selectiva e Temática" da autoria de José Blanco, senti de novo vontade de ir às bibliotecas procurar livros sobre Fernando Pessoa.
Um dos livros que requisitei é este "Os Dois Exílios":

... Cuja matéria foi também desenvolvida pelo Alexandre E. Severino no seu livro "Fernando Pessoa na África do Sul" que contém referências ao trabalho de H.D.Jennings, o que na altura me dispensou (pensei eu) de o ler.

É com algum remorso que só agora aqui encontro uma fotografia de um edifício de Durban, o "London Chambers" (que não aparece na Fotobiografia (de bolso) de Maria José de Lancastre editada pela Quetzal Editores), edifício este onde estava sediada a "Comercial School" que F.P. frequentou durante um ano, e ao qual se refere, e às suas colunas de ferro, numa carta jocosa e irónica endereçada a um colega* de curso (reproduzida no livro "Obra essencial de Fernando Pessoa - Cartas", e que não me lembro de ler nos volumes da "Correspondência", também da Assírio & Alvim... Ter-me-á faltado a referência visual?)
Igual remorso sinto ao perceber (ainda não li o livro) que nesta obra se transcreve, entre outras diversas e interessantes coisas, a polémica poética que opôs Fernando Pessoa, por C.R. Anon interposto, ao professor Haggar no jornal de Durban, incluindo a resposta satírica deste último ao anónimo "little man".

Reproduzo também as notas de Fernando no Exame intermédio (também disponíveis na Fotobiografia) - total: 1098 pontos.
Já agora, devo dizer sobre esta questão (a ida de F.P. para a universidade), que tenho seguido a abordagem que Ángel Crespo tornou para mim mais clara: não havendo universidade em África do Sul (conforme as pesquisas de Severino mostram) F.P. só poderia voltar para a Europa, se desejasse prosseguir os estudos, o que de facto fez.
No entanto tenho percebido em vários apontamentos biográficos recentes (Richard Zenith na cronologia publicada no volume "Escritos Autobiográficos, Automáticos e de Reflexão Pessoal" escreve «...[F.P.] abandona a High-School [em 1904]...» , e António Mega Ferreira no volume "Fazer pela vida" escreve por sua vez: «Porque voltou [F.P.] a Lisboa? Teria desistido de dar continuidade aos seus estudos em Durban? Terá sido equacionada a possibilidade de o enviar para a Cidade do Cabo, onde poderia seguir um curso superior?...» - tenho percebido, dizia eu, nestes apontamentos, uma mudança (de paradigma?) na abordagem a esta questão, o que tem como principal consequência a de eu não saber se tenho a "lição" bem estudada, ou não!...
Mas então... Havia ou não havia universidade em África do Sul? Poderia Fernando não ter abandonado a High-School?? Poderia ele ter continuado a frequentar as aulas no Liceu obtendo por isso equivalência em termos académicos?? Afinal, terei eu percebido tudo mal?
Já não sei, nem quero saber!... (É mentira; no entanto a B.D. vai se fazendo...)

* Colega com quem irá manter contacto durante vinte anos(!), segundo R. Zenith, segundo João Gaspar Simões, segundo... (Ah, a "selva" dos estudos pessoanos!...)

2 comentários:

Nuno disse...

Miguel. Pelo que eu percebi, não havia Universidade no Cabo. Havia sim um exame de acesso à Universidade no Reino Unido, para o melhor aluno do High School. Mas aquando deste último exame, Pessoa ficou atrás de um colega (o Gherts?), o que terá forçado a vir para Lisboa. Provavelmente se ele tivesse ido para Londres seria um poeta mediano em língua inglesa. Isto acho que se prova pelo esforço do padrasto de Pessoa em o colocar na Commercial School para que ele tivesse alguma formação extra, depois do High School e antes da Universidade (era um homem claramente prevenido e conhecia o temperamento volátil do Fernando).

Miguel Moreira disse...

Sim, também me parece. Mas fernando ficou foi à frente do Geerdts - mas, como não tinha frequentado o Liceu durante quase 3 anos, não teve direito à bolsa de estudo para ir para Inglaterra...
Quanto ao padrasto - concordo consigo, Nuno.