

(Blogue onde se dá a conhecer a biografia em banda-desenhada homónima do Poeta, da autoria de Miguel Moreira - cor: Catarina Verdier, e onde se tecem algumas considerações sobre: essa obra, B.D. em geral e assuntos pessoanos).


O relato pormenorizado da criação do poema "Abdicação", aqui reproduzido no essencial*, ocupa todo um parágrafo de uma carta endereçada a Mário Beirão no dia 1 de Fevereiro de 1913:
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De leitura enriquecedora, este livro tem o mérito de nos colocar, até ao nível dos estudos históricos, no contexto português, ao mesmo tempo que nos oferece uma perspectiva objectiva, neutra, portanto desligada das "nossas" habituais tomadas de partido; baseia-se numa extensa bibliografia que inclui por exemplo os relatos hora-a-hora de cônsules e ministros ingleses ("registos diplomáticos") residentes em Portugal à época, relatos esses que permitem ao autor eliminar dos factos comprovados, classificando-o como uma possível peça de propaganda política republicana, o caso da reviravolta operada pela intervenção de um talvez inexistente diplomata alemão - a famosa "bandeira branca" que terá precipitado a rendição monárquica durante a revolução de Outubro de 1910.
Das várias razões apontadas para o insucesso da Primeira República, Douglas L. Wheeler aponta quatro:
Não é de admirar que o nosso "Futurismo" tenha sido tão depreciado pela opinião pública sua contemporânea...
(^^^: meia-página II-B-III-1-b).

... Porque a Catarina Verdier (colorista desta BD) tem estado a trabalhar noutro projecto, a pintura de um mural no "bar-galeria do desassossego" (penso que não é uma referência pessoana), mural esse que estará pronto para a vossa apreciação, se assim o desejarem, amanhã dia 28 de Outubro na Rua da Atalaia, nº52, no Bairro Alto em Lisboa, a partir das 22 horas:
... Aí exporá também desenhos (e uma pintura a óleo) - a mesma exposição que esteve brevemente em Espinho em junho deste ano.
... Início de um novo grupo e ciclo mas também continuação dos anteriores, nomeadamente das duas m-p anteriores (para mais esclarecimentos, ver o seguinte post): 

... Seguida do aí apresentado retrato, na sua forma final, da autoria de Rodriguez Castañé - retrato esse que pode ser visto ao vivo na Casa Fernando Pessoa:
O que Mário de Sá-Carneiro diz ao Fernando Pessoa no último quadrinho foi retirado de duas cartas que ele lhe endereçou: da primeira, de 20 de Outubro de 1912 (por acaso, é também a primeira da longa correspondência entre os dois), consta a referência ao seu respeito pela "Renascença Portuguesa"*, e da segunda, de 2 de Dezembro de 1912, a apreciação do papel de crítico que F.P. vinha desempenhando publicamente à data**.
Quanto ao Almada Negreiros (no centro da fotografia acima apresentada, de 1912), optei por representá-lo já com um aspecto meio-"modernista", isto é: vistoso e não preocupado com as convenções, introduzindo assim graficamente a componente iconoclasta da sua personalidade:
Para as feições do nosso "poeta d'Orpheu futurista e tudo", baseei-me obviamente na sua própria interpretação desenhada: