quarta-feira, 13 de abril de 2011

A meia-página seguinte (III-A-I-3-c)...

... prossegue o tema do Dia Triunfal, iniciado no grupo de 5 m-p anterior, e apresenta no segundo "quadrinho" o princípio do segundo poema do conjunto intitulado "Chuva Oblíqua", quadradinho esse aliás bastante "interseccionista"...

No texto do primeiro quadradinho continuo a tentar fazer coincidir as duas verdades do famoso Acontecimento Poético, como já aqui foi explicado, e aproveitei ideias de dois textos pessoanos: a carta a Casais Monteiro e o texto que relata um dos nascimentos de Ricardo Reis, assim como considerações resultantes dos estudos aos documentos originais, levados a cabo por muitos estudiosos pessoanos...

[^^^ Página 105].

[^^^ Página dupla 104-105].

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A segunda meia-página deste grupo de 5* - o terceiro do primeiro ciclo de 15 m-p, do primeiro conjunto de 45 do terceiro arco de 90 - (III-A-I-3-b):

A expressão "redes de pesca e cabos de aço" é do próprio Pessoa e é tirada de uma carta datada de 19 de Julho de 1914, endereçada a Mário Beirão:

«A literatura que tenho recentemente feito tem sido principalmente sobre redes de pesca e cabos de aço. A Matéria tem vencido. Exagero é claro. Alguma coisa tenho feito. Mas não creio que seja do género que lhe agrade muito».

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*: Ver aqui para perceber mais ou menos esta história de grupos, ciclos, conjuntos e arcos - outra forma, como aí digo, de me colocar a seguinte pergunta: «como contar esta história?».

domingo, 10 de abril de 2011

Página 104:

(Meias-páginas III-A-I-2-e e III-A-I-3-a).

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Meia-página III-A-I-2-e:

Composta com excertos de poemas de Alberto Caeiro, e uma referência visual já antiga.

Depois de ver a página acabada e colorida (pela Catarina) e o seu primeiro quadradinho, lembrei-me logo de uma imagem "clássica" da banda-desenhada (à semelhança do que me acontecera antes com esta sequência):

Acima reconhecerão, é claro, o célebre jovem repórter belga (agora acusado de racismo), acompanhado do seu famoso cão, o milú. A sombra e o círculo são as semelhanças que me despertaram a atenção.

^^^ Uma versão antiga do mesmo desenho?
Hergé desenvolveu o seu estilo peculiar redesenhando histórias antigas, estilo esse que viria mais tarde a ser chamado "linha clara" ("ligne claire") - o mesmo se pode dizer do tom "colonialista" das primeiras aventuras de Tintim.

A essa juntou-se depois outra imagem clássica:

A do também célebre cowboy que dispara mais rápido que a sua sombra!

Voltarei a falar-vos aqui das aventuras dessa fantástica personagem, e do seu criador.

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Imagens similares, mas a "sombra" do meu Fernando Pessoa é a única que é mais rápida do que ele... ou, pelo menos: menos lenta.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

A meia-página seguinte (III-A-I-2-d)...

...tem por tema o preâmbulo do famoso "dia triunfal" (à semelhança das duas primeiras deste grupo de cinco - ver aqui), e exige portanto o mesmo grau de atenção à verdade do Acontecimento, sendo essa verdade dupla: há aquela que Fernando Pessoa contou, e aquela, factual, que muitos investigadores pessoanos se dedicam a elucidar, no seguimento do que fez Ivo Castro ao oficializar o "problema" (na sua edição crítica de "O Guardador de Rebanhos", de 1981)...

Baseando-me desordenadamente nas informações disponíveis, como é infelizmente meu hábito, optei por apresentar, como primeiro sinal da poética propriamente caeiriana nesta banda-desenhada, a primeira metade do poema "A Salada" - uma das quatro* canções doentes inseridas em "O Guardador de Rebanhos".

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*: Ou duas, ou cinco... segundo as habituais dúvidas de Fernando Pessoa.
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Na primeira lista de poemas elaborada por Pessoa*,em número de 7, essas mesmas quatro canções já estão presentes e serão mais tarde consideradas "canções doentes".

Nessa primeira lista a "doença" ocupa portanto um lugar considerável.

O primeiro poema da lista é "A Salada" e no manuscrito final de Pessoa, está assinalado com a seguinte indicação em inglês: "early"**.

Este poema poderá ter sido especial para F.P., que numa nota solta escreveu***:

«Aqui, na poesia 17, é que colhemos em acção as influências fundadoras de Caeiro: Cesário Verde e os neo-panteístas portugueses. E o 7º verso é Cesário Verde puro. O tom geral podia ser quase de Pascoaes».

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*: Que se encontra no livro "Poesia" de Alberto Caeiro, publicado pela Assírio & Alvim em 2004 (entre outros).
**: Aqui, o link para uma reprodução fac-similada do manuscrito, tal como nos é facultado no Espólio Digital de Fernando Pessoa, da responsabilidade da Biblioteca Nacional.
***: Como nos relata Fernando Cabral Martins na edição acima referida.
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Última nota: no último quadradinho desta m-p Mário de Sá-Carneiro lê aos amigos as primeiras frases do seu conto "Resurreição" (amigos que sob nomes aproximados aí desempenham papéis importantes). (Informação contida no postal de 20 de Março de 1914 endereçado a Fernando Pessoa).

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[^^^ Página 103].

[^^^ Página dupla 102-103].

sábado, 2 de abril de 2011

A meia-página III-A-I-2-c...

... seguida do fac-simíle do plano da aí referida revista, tal como pode ser encontrando na já aqui várias vezes mencionada fotobiografia do poeta, da autoria de Richard Zenith, que nos diz na legenda que o acompanha: «Sumário (...) pela mão de Sá-Carneiro e Pessoa a dirigir», o que possibilitou a cena acima desenhada.

sábado, 26 de março de 2011

O título da meia-página seguinte (III-A-I-2-a)...

... É tirado de um trecho do "Livro do Desassossego" publicado em vida do autor:

A penúltima frase do primeiro parágrafo é difícil de perceber para quem como eu tem pouco vocabulário. "Estio " quer dizer "verão"; qual será então o sentido desta frase aparentemente redudante - na sua versão mais simples: «É verão mas verão»?

Nada que o meu bom velho dicionário "Novo Aurélio do século XXI" (como diz a capa) não possa decerto ajudar a esclarecer*: "verão" vem do latim "veranum", ou melhor "ver, veris" e significa (significava), ao contrário do que se poderia esperar, "primavera"!... (A nossa primavera será portanto "o primeiro verão").

A enigmática frase fica assim clara: «É verão mas, ainda, o primeiro verão» (isto no contexto dos devaneios atmosféricos e analíticos do nosso ajudante de guarda-livros lisboeta, de subtis cambiantes).

Apeteceu-me, quando li esse trecho, utilizar essa expressão nesta banda-desenhada para o início do episódio do nascimento do heterónimo Alberto Caeiro (e companhia), mais conhecido como "O Dia Triunfal"; aqui está.

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*: Dicionário publicado no Brasil, tem a vantagem de, para além de nos informar sobre a origem e o primeiro significado das palavras, apresentar-nos também as particularidades de cada variante nacional da língua portuguesa, o que feliz ou infelizmente já não é necessário.
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A segunda meia-página apresentada neste post (III-A-I-2-b)...

... tem mais que se lhe diga: é a primeira vez que eu utilizo conscientemente um texto de Fernando Pessoa, desvirtuando-o...

Refiro-me ao fragmento apresentado no último quadradinho, o início da versão menos conhecida do nascimento de Ricardo Reis (cuja primeira metade poderão ler no seguinte link) tendo o restante ficado inédito até 2003, por culpa da edição da obra em prosa do maior discípulo de Caeiro (de Manuela Parreira da Silva, na Assírio & Alvim).

Versão diferente da genése da heteronímia contada pelo próprio F.P. em final de vida ao jovem poeta e crítico Adolfo Casais Monteiro*, génese essa pouco fiável como é agora sabido ("O Guardador de Rebanhos" e "Chuva Oblíqua" não terão sido escritos num só e mesmo dia como o provam os documentos originais), tem este texto as seguintes particularidades: está datado de 1/2/1914 - mais de um mês antes do famoso dia 8 de Março (o triunfal), e remete (hipoteticamente?) o nascimento de Ricardo Reis para o dia 28 (ou até 29) de Janeiro desse ano, em moldes que seriam a meu ver muito melhor aplicados ao seu mestre...

«Não sei bem, não me recordo bem como tudo isto se desenvolveu (...) o Dr.Ricardo Reis morre onde nasceu, em minha alma (...) isto [...] é o seu enterro»...

Dada a complexidade do caso, optei por utilizar o final do texto ignorando as datas propostas** e, o que é pior, apagando o nome do heterónimo neo-pagão aí citado...

Tentei assim criar o ambiente propício ao aparecimento do autor de "O Guardador de Rebanhos", «o melhor que eu tenho feito - obra que, ainda que eu escrevesse outra Ilíada, não poderia, num certo sentido íntimo, jamais igualar, porque procede de um grau e tipo de inspiração (passe a palavra, por ser aqui exacta) que excede o que eu racionalmente poderia gerar dentro de mim»***.

A ver vamos.
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*: Ler aqui a célebre carta.
**: Ou melhor - não as transcrevendo mas seguindo as balizas temporais que elas definem.
***: Carta de 25/2/1933 para João Gaspar Simões.
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[^^^ Página nº 102].

quarta-feira, 23 de março de 2011

- Um convite a conhecer o mural pintado pela Catarina Verdier, de 2010:

- E uma interpretação minha da célebre fotografia:

domingo, 13 de março de 2011

A página nº 101:

Meias-páginas III-A-I-1-d e III-A-I-1-e.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A página nº 100 (se as minhas contas estiverem certas):

Meias-páginas III-A-I-1-b e III-A-I-1-c.