terça-feira, 31 de agosto de 2010

^^^: Caricatura de Fernando Pessoa - "o crítico da Águia", segundo um desenho original de Rodrigez Castañé, publicado no jornal "República" em 1912.
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Encontra-se no blogue La Cárcel de Papel (em espanhol) uma ligação para uma interessante entrevista com Art Spiegelman (como sempre no caso deste autor), a propósito de uma edição da sua responsabilidade, prevista para Outubro de 2010, do seguinte título: "Lynd Ward: Six Novels in Woodcuts" (1929-1937), um boxset em dois volumes contendo, como o título indica, seis romances sem palavras - só com imagens.

O acontecimento reveste-se de alguma importância para a "literatura visual" de toda a ordem já que esta obra de Lynd Ward vai também dar entrada na Biblioteca do Congresso Norte-Americano, juntando-se ao rol de livros consagrados culturalmente pela dita instituição, um avanço inegável para o reconhecimento de "outra forma" de literatura que, como pertinentemente Spiegelman aí aponta, assenta na forma do livro em si, ajudando portanto a compreender de forma original as mudanças tecnológicas actuais por que passa esse até agora indispensável objecto cultural.

Aconselha-se a leitura da referida entrevista e, obviamente, a descoberta de mais obras deste autor.
No seguinte link, por exemplo, poderão apreciar as suas ilustrações para o famoso livro de Mary Shelley, Frankenstein:

^^^ Acima: a primeira aparição da Criatura.
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Para acabar, uma ilustração do autor de "In the Shadow of No Towers":

... Recusada pelo editor da revista "New Yorker"...

... E a comparar com as cinco charges do post anterior.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Finalmente, a última meia-página deste grupo de cinco (II-B-II-2-e):

Que fique no entanto claro: a edição do seu primeiro livro "de novelas" não foi de autor; Mário de Sá-Carneiro publicou-o na Livraria Ferreira (quem sabe se comportando os custos) mas os seus seguintes livros, um de poesia e dois de novelas, foram-no. Fica assim introduzido com esta distorção à verdade o tema da sua capacidade finaceira, que desempenhará um papel importante na criação da revista "Orpheu", e no seu fim também...

[^^^: Acima, a bibliografia do autor, tal como se encontra no primeiro número da revista Orfeu].

E para celebrar o regresso à normalidade técnica neste blogue (até quando?), deixo-vos com uma série de "charges" do ANGELI:


quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Enquanto os meus problemas técnicos com o photoshop continuam, não podendo eu portanto apresentar-vos a última meia-página deste grupo de cinco dedicado à breve introdução biográfica de Mário de Sá-Carneiro (até ao seu encontro com Fernando Pessoa), quero aproveitar para fazer uma pequena (grande) correção aos comentários que fiz aquando da publicação da m-p intitulada "Ó Sino da Minha Aldeia".

Das três versões existentes do conhecido poema, correspondendo a primeira ao momento inicial da escrita...

(Abaixo, a sua transcrição tal como pode ser encontrada na recente fotobiografia do poeta, da autoria de Richard Zenith:)

... a intermédia (publicada no número único da revista "Renascença" em 1914) tem mais do que uma simples (embora significativa) diferença no segundo verso, quando comparada com a primeira...

Ó sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro da minh' alma.

E é tão lento o teu soar,
Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem um som de repetida.

Por mais que me tanjas perto
Quando passo triste e errante,
És para mim como um sonho -
Soas-me sempre distante...

A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto.

... aproximando-se já consideravelmente da versão final, de 1924:

Já agora, e não sendo especialista na matéria - nem querendo sê-lo, longe disso - parece-me que na transcrição acima reproduzida da primeira versão, também se encontram dois erros: no «minh'alma» e no «tem um som de repetida» existentes no manuscrito, se não estou mais uma vez em erro.

Como já tive ocasião de aqui dizer: os filólogos pessoanos são pessoas cheias de paciência, não acham?

Feita a importante correção (não se vá dar o caso de eu me habituar a abordar apressadamente assuntos complicados), deixo-vos com uma interessante entrevista - brasileiramente, mais do que quadrinhisticamente, falando - com o inefável criador d'Os Skrotinhos - o Angeli...

[^^^ Imagens retiradas da internet, portanto de leitura menos ou mais difícil].

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Meia-página (II-B-II-2-d):

Seguida da página 88 do livro:

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Aaahh! Parrie...

(Meia-página II-B-II-2-c).

sábado, 24 de julho de 2010

^^^... Três dos jovens amigos acima representados - Mário de Sá-Carneiro de bigode, dois ou mais anos depois.

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Faleceu recentemente Harvey Pekar (8/10/1939 - 12/7/2010):

... Autor da série de comics autobiográfica "American Splendor" :

... Que deu origem ao filme norte-americano homónimo de 2003, o único do género a meu ver e até agora que realmente dá vontade de ler a banda-desenhada em que se baseia!

Porque está bem feito, de modo inteligente, junta páginas animadas da sua BD com as cenas representadas pelos actores, chegando até a apresentar as pessoas em que se baseiam as ficções, interagindo estas com os seus duplos.

Mas, voltando à BD:

... E ao seu autor:



... Porque não conhecê-lo um puco melhor através das seguintes entrevistas publicadas no "Comics Journal":

- a primeira de 1984 (em duas partes);

- a segunda, de 1993.

sábado, 17 de julho de 2010

A segunda meia-página deste grupo de 5 (II-B-II-2-b):

Seguida da página 87:

... E da página dupla 86-87 do livro:

(Como disse no post anterior: difícil e desanimador, não fora a satisfação momentânea que advém da contemplação do trabalho que se vai realizando).

quinta-feira, 15 de julho de 2010

A criança distraída que vemos na imagem acima apresentada é a razão que explica a demora entre a publicação do último post neste blogue e o de hoje, a mais longa até agora.

O que inicialmente me parecera uma boa ocasião para descansar da exagerada concentração e atenção aos mínimos detalhes cronológicos necessárias à realização desta obra, como já aqui referi, regida por um conjunto de regras rígidas que não permitem muita margem de manobra para posteriores correções, acabou por se revelar igualmente difícil e desanimador, não fora a satisfação (momentânea) que advém da contemplação do trabalho realizado.

A ideia surgiu depois da primeira versão escrita desta história ter sido acabada; versão essa a que faltava, como perpicazmente mo apontou Catarina Verdier, dar relevo à figura de Mário de Sá-Carneiro. Para tal contribuiu ela com a leitura da correspondência do poeta exilado em Paris com Fernando Pessoa, anotando com cuidado os dados que seriam essenciais a uma primeira abordagem, e descobrindo e dando-me a ler o seguinte livro, de 1983:

Tomou forma a ideia quando os também já aqui referidos grupos de 5 meias-páginas (ver o índice na barra lateral) me permitiram começar a medir, literalmente, esta história, tentando ver-lhe o fim.

Mas, chegado o momento de resumir em 5 m-p a vida do Mário até ao seu primeiro encontro com o Fernando nesta BD, a tarefa revelou-se árdua, complexa e acima de tudo desencorajante: tudo menos um descanso.

Bem, de qualquer forma, já está. Deixo-vos com a primeira m-p do segundo grupo de 5, do segundo ciclo de 15, do segundo conjunto de 45 do segundo arco de 90 - (II-B-II-2-a):

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«Os apelidos, como é de ver, não são ligados; mas, como ele assim os passou a escrever, assim devem ser mantidos no seu nome», como nos diz anonimamente (à data) Fernando Pessoa na "Tábua Bibliográfica" de Sá-Carneiro publicada na "Presença" em Novembro de 1928.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A página 86 do livro, a preto e branco:

... Meias-páginas II-B-II-1-d e II-B-II-1-e.

domingo, 13 de junho de 2010

ESTE MÊS, em Espinho:

Catarina Verdier expõe desenhos, dia 20 a 27, no FEST - Festival Internacional de Cinema Jovem.