



(Blogue onde se dá a conhecer a biografia em banda-desenhada homónima do Poeta, da autoria de Miguel Moreira - cor: Catarina Verdier, e onde se tecem algumas considerações sobre: essa obra, B.D. em geral e assuntos pessoanos).

E sim, Camilo Pessanha falava chinês, como aliás se percebe pela capa de um livro reproduzida no penúlimo post cujo título é: "China - Estudos e Traduções".
No livro acima apresentado (de 1999) podemos encontrar essa e mais informações sobre esse tema, assim como as traduções, e notas, de oito elegias chinesas, da responsabilidade do poeta auto-exilado em Macau (onde veio a falecer com 59 anos, minado pela tuberculose e pelo ópio), tarefa para a qual contou com a ajuda de um eminente sinólogo seu amigo (José Vicente Jorge).



O encontro entre F.P. e Camilo Pessanha foi relatado pelo próprio, não detalhadamente, numa carta que ele lhe terá (ou não) enviado em 1915, para Macau, pedindo-lhe colaboração para o terceiro número da revista Orfeu (que ficou por editar):
Abaixo, três retratos fotográficos do poeta Camilo Pessanha (1867-1926):

... Onde se nota bem, particularmente no último, que o homem era vesgo (o que por si só não tem piada, mas acho no entanto que é muito divertido representá-lo assim para "cortar" a seriedade deste breve encontro histórico - afinal F.P. considerou Pessanha como um dos três mestres portugueses do século XIX da poesia moderna*).
Quanto à última fala desta m-p, ela é, quase palavra por palavra, a transcrição do que Pessanha escreveu em 1912 a propósito do seu conhecimento do Inglês, na introdução a: "Um Estudo sobre a Civilização Chinesa", da autoria do Sr. Dr. Morais Palha - «O cicerone falava-me em inglês, língua de que, ao todo, conheço meia dúzia de palavras» - e que se poderá encontrar no livro acima apresentado, entre outros.
À primeira, entre o Art Spiegelman [autor da ilustração acima apresentada] e o Kevin Huizenga (profundamente esclarecedora e inspiradora, como sempre com o autor de "Maus - A História de um Sobrevivente") segue-se outra, menos empolgante mas igualmente importante já que o "sénior" aí entrevistado, o David Mazzucchelli, é um caso exemplar de transformação de um talentoso desenhador de comics em um autor completo de graphic novels (à semelhança do já falecido Will Eisner).
[^^^ Acima, duas imagens do seu primeiro romance gráfico, "Asterios Polyp", inteiramente realizado por si].
[^^^ Acima, um quadradinho da história “For the Man Who Has Everything” (1987) - um aniversário complicado para o Super-Homem, da autoria de Moore e Gibbons].
[^^^ Acima, uma página de "American Flagg" (1983) da autoria de Howard Chaykin, que prefigurou o estilo extremamente popular (relativamente falando) que impôs pouco depois o Frank Miller como um dos gurus pós-modernos dos comics, sendo Alan Moore um dos seus rivais (ou talvez seja mais apropriado dizer o contrário)].
Só para ficarem com uma ideia: o título do livro, "Fun Home", tanto poderá significar "casa divertida", como "casa funerária" - "Fun(eral) Home".
Único autor francês do grupo, é um dos responsáveis pelo ressurgimento da verve alternativa e/ou iconoclasta na BD europeia nos anos 90, talvez não tanto por causa de alguma obra em particular mas de certeza por ter sido um dos fundadores do colectivo de autores/editores conhecido como "L'Association", que bastante aceitação tem tido do outro lado do atlântico.
[^^^ À semelhança da primeira ilustração apresentada neste post, um excerto de “High Art Lowdown”, por Art Spiegelman].