quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A quarta meia-página deste ciclo de 5 (IX-2-d):

domingo, 15 de novembro de 2009

A terceira meia-página deste ciclo (IX-2-c):

[^^^ Acima, as páginas 65 e 66 do livro aberto].

Muito haveria a dizer sobre as correspondências entre este ciclo, IX-2, e os anteriores IV-1 e IV-3, mas seria fastidioso tentar ultrapassar as barreiras impostas pelo formato do blogue de forma a permitir um olhar geral sobre determinados aspectos da estrutura desta narrativa (de um tipo facultado somente pela leitura do "livro-objecto", diga-se de passagem).
Fica aqui no entanto a referência.

Outra nota digna de registo, no seguimento dos meus habituais comentários quanto à feitura das páginas, diz respeito à utilização nesta última m-p do início do "conhecido" texto pessoano, «I was a poet...»*, que eu inicialmente antevera como aproveitável para o surgimento do duplo poético de eleição do jovem Pessoa, o Alexander Search.
Surgiu agora a oportunidade de o utilizar em concordância com a provável data da sua execução (segundo Richard Zenith**) e, curiosamente, foi no encerramento do que pode ser considerado como o seu periodo final enquanto poeta de expressão inglesa*** que se mostrou apropriado.

Resta dizer que o título "Odeio o Verde" é uma referência explícita à série de poemas onde Fernando Pessoa exemplifica o seu processo poético heteronímico à volta da cor verde (neste caso, à Álvaro de Campos).
Infelizmente, mais uma vez, utilizei uma informação importante de memória, o que, espero eu, não terá como consequência o obrigar-me a modificar um título que eu considero adequadamente escolhido...
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*: Que podem encontrar aqui.
**: Em "Escritos Autobiográficos, Automáticos e de Reflexão pessoal" (Assírio & Alvim), na nota da página 405 referente a esse mesmo texto (p.18).
***: Se bem que o próprio Pessoa nunca tenha admitido esse fim, mantendo até tarde a ambição de publicar novas obras em inglês, na própria Inglaterra, mesmo sabendo que a qualidade da sua obra em portugês era consideravelmente maior...
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A ideia da máscara de Cesário Verde aqui utilizada já me assombrava o espírito criativo há bastante tempo e, quando se aproximou irremediavelmente o momento fatal em que eu teria de a concretizar, tive o prazer/desprazer de descobrir que um autor norte-americano meu favorito, o Chris Ware, estava prestes a publicar uma sugestivamente intitulada história curta, "Unmasked", na seguinte revista cuja capa é da sua autoria:

Abaixo, a história propriamente dita, que eu pura e simplesmente ainda não li:

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A segunda meia-página deste ciclo de 5 (IX-2-b):

terça-feira, 3 de novembro de 2009

A primeira meia-página deste ciclo (IX-2-a):

Com a participação especial de Cesário Verde (1855-1886), ou pelo menos do seu semblante, e das duas primeiras estrofes de um seu poema que dá título a esta m-p: "Contrariedades"...

Na página 21 do livro acima apresentado, da autoria de Maria Filomena Mónica, é-nos dito que Cesário, ao contrário do que parece nas duas únicas fotografias conhecidas do poeta, se bem que a preto e branco, «era louro e tinha olhos azuis»...

Tendo isso em conta, optei por seguir o desenho abaixo apresentado, claramente decalcado (provavelmente bem demais como se vê pelas sobrancelhas), para o retratar, alargando ligeiramente o seu nariz e juntando o bigode que Columbano, de memória, nos legou (a bem dizer e no meu entender, o único elemento realmente fiável na gravura que podem ver na capa do referido livro e que, se não estou enganado, ilustrava a primeira edição de "O Livro de Cesário Verde").

(Ah! E esquecia-me: assim como as orelhas grandes!)

sábado, 31 de outubro de 2009

Para ler em continuidade parte do trabalho final, aqui está o primeiro grupo de 5 meias-páginas do segundo ciclo de 15 m-p do primeiro conjunto de 45 do segundo arco de 90 - (II-A-II-1):

terça-feira, 27 de outubro de 2009

A página 64 do livro:

Seguida das páginas 63 e 64 do livro aberto:

(... para dar uma impressão visual do resultado final).

sábado, 24 de outubro de 2009

As duas meias-páginas seguintes, a preto e branco (IX-1-c & IX-1-d):

... realizadas em simultâneo, e começadas antes da m-p anterior estar acabada.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A segunda meia-página deste ciclo (IX-1-b):

E mais desenvolvimentos do "caso Saramago", no "Público":

«A eurodeputada do PS Edite Estrela acusou hoje o social-democrata Mário David de ter uma “atitude inquisitorial” ao criticar o escritor José Saramago pelas suas posições contra a Bíblia e a tradição judaico-cristã».

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

E agora, para dar um ar de "actualidade" a este blogue, José Saramago:

... que lançou ontem o seu novo romance, "Caim".

Como se pode ler nos vários artigos jornalísticos apresentados na edição electrónica do "Público", o autor do imaginativo "O ano da morte de Ricardo Reis" veio à praça pública lançar uma série de ideias que serão decerto entendidas por ele como libertárias...

«A Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana».

«A Bíblia passou mil anos, dezenas de gerações, a ser escrita, mas sempre sob a dominante de um Deus cruel, invejoso e insuportável. É uma loucura!».

«O conceito de inferno é completamente idiota».

Dizeres esses que já começaram a suscitar respostas apropriadas:

«O padre Manuel Morujão adiantou que “... ele [José Saramago] encontra absurdos nesta história que sabemos que é uma história simbólica, de Caim e Adão.
O justo e o mau que tem ciúmes daquele que é bom e é louvado.
Estamos numa simbologia que é profundamente humana. Estas histórias acontecem hoje e é preciso também interpretá-las com critérios sapienciais, de ler para além do texto e sabendo com que género literário estamos a tratar
».

«O responsável pela comunidade judaica de Lisboa, o rabino Eliezer di Martino, acusou hoje José Saramago de desconhecer a Bíblia, garantindo que o “mundo judaico não se vai escandalizar” com o que o prémio Nobel escreveu».

Independentemente do tom polémico das afirmações públicas do escritor (de quem só li dois livros), e desconhecendo o conteúdo do seu novo romance, não me é no entanto difícil imaginar aonde ele quererá chegar com a sua revisitação do mito de Abel e Caim onde, segundo é relatado, Saramago vê "deus" como o autor intelectual do "primeiro fratricídio"...
Restará aos leitores menos impressionáveis desfrutar, ou não, da sua prosa, que não vale obviamente só pela forma - Ricardo Reis que o diga.

Fica bem no entanto no âmbito deste blogue falar também de um recentíssimo lançamento - de outro tipo mas tematicamente relacionado com o de Saramago - o da adaptação gráfica do primeiro livro do Pentateuco - ilustrado por Robert Crumb:

Personalidade controversa do mundo da banda-desenhada, sobrevivente dos loucos anos 60, é também um excelentíssimo desenhador, e como podem julgar pela imagem abaixo reproduzida, um digno conhecedor da miséria humana:

Aqui também é abordado o mito de Caim e Abel:

- Depois de uma cena humanamente tocante, a tradicional cena de fratricídio (notem a expressão de ambos os irmãos no segundo quadradinho):

Mas não é só de cenas sanguinolentas que se se compõe esta história, ou estórias (... tão velhas !, diz o Crumb na introdução ao livro).
Há cenas de uma grande poesia, tanto visual como sequencial, como por exemplo a seguinte (sublime) onde vemos a famosa arca de Noé encalhada no topo de uma montanha:

... que acabará assim, com um magnífico desenho - de cortar a respiração:

[R.Crumb segue literalmente a recente tradução da primeira parte, de cinco, do primeiro "livro" do Antigo Testamento, também ela literal, da responsabilidade de Robert Alter, o que confere ao seu relato uma aura arcaica, por meio da linguagem, sustentada também pelas imagens e, dada a natureza composta do texto original (vários autores ao longo de séculos), exagera naturalmente a incoerência de certas passagens.]

No capítulo final do Génesis, intitulado "José e os seus Irmãos", assiste-se a uma cena terrível onde José (judeu - o segundo homem mais poderoso do Egipto antigo), depois de prever, interpretando um sonho do Faraó, uma seca que durará sete anos...

... torna-se responsável pelo fim da propriedade privada, alienando todos os bens da faminta população egípcia, e dos arredores, em troca de alimento.

Capitalismo portanto?

Deixo-vos com uma série de críticas ao livro e entrevistas ao autor, via "The Beat".

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

DE NOVO a primeira meia-página deste ciclo (IX-1-a):

... com uma mudança de texto no primeiro quadradinho que se deveu a uma oportuna informação facultada pelo Nuno, que transcrevo abaixo com a sua permissão:

«Olá Miguel,

sobre o "bigode de poeta":

por acaso comprei recentemente o livro "Fernando Pessoa, imagens de uma vida" da Manuela Nogueira e quando vi a sua referência lembrei-me de ter lido a carta a que se refere (escrita pela mãe de Pessoa em 22 de Setembro de 1915). Está um excerto na pág. 82.

A mãe diz-lhe: "Não sei se já te disse que tive um postal da Mrs. Birne, em que me diz que gostou imenso de te ver, que não te achou grande diferença, a não ser o bigode e uma cabeça de poeta."

Não se percebe bem o sentido, se o bigode e a cabeça são de poeta, ou se é só a cabeça. Mas penso que sejam os dois :)

Espero que ajude.

Abraço,

Nuno».

Depois de ler o conteúdo desta mensagem, que eu agradeçi, percebi que o "bigode de poeta" estava grosseiramente a mais nesta m-p (cuja acção decorre em 1908), e que a expressão «de que alguém lhe falara» tinha sido realmente muito mal escolhida - o "alguém" era afinal a "Mrs. Birne"... of course*!...

A Catarina Verdier, quanto a ela, e em consequência, acabou por ler imediatamente o texto que eu escrevera (ao contrário do que lhe é habitual já que só gosta de ler uma série de páginas seguidas) e, como lhe é habitual, opôs-se veentemente ao que considerou como mais um erro meu de interpretação, ou como diria o Pessoa, um caso de despersonalização insuficiente: - não era nem podia ser de forma alguma a mãe que lhe pedira o retrato mas antes o próprio Fernando, vaidoso, que tomara a iniciativa!
(Logo depois lembrou-se de me perguntar se a foto tinha de facto sido enviada, ao que eu respondi que não sabia e que isso tinha sido inventado).

A observação pareceu-me lógica, "despersonalizada", e era mais uma razão para fazer saltar o já muito irritante "bigode de poeta"; procedi portanto à modificação do texto no papel, como podem constatar:

Ía eu aqui publicar a m-p corrigida quando pela terceira vez me deparei com um obstáculo que me fez duvidar do que escrevera**, mais precisamente da minha correção ao que já escrevera: o comentário da auto-denominada "romantikscent"*** que podem ler no post anterior, e que salienta o aproximar da vida "adulta" do poeta.

Daí a eu pensar que o que o Fernando poderia querer ilustrar com o retrato fotográfico (e principalmente com o seu bigode nascente) seria antes o final da sua adolescência, foi só um passo****, e é portanto a terceira versão desta m-p que eu apresento neste post.

Outras modificações tinham sido já feitas antes da primeira publicação desta m-p, mas a nível do desenho e já no computador, como podem acima verificar.

Mais uma nota: neste caso, e excepcionalmente, o fundo que já aparecera na m-p intitulada "Ambiente", não foi redesenhado, dada a complexidade do travelling (penso que aqui se justifica o uso do termo cinematográfico), mas antes "fotochopizado", o que é sempre agradável de fazer porque visualmente muito estimulante.

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*: Estou a brincar; só hoje é que percebi que o livro a que o Nuno se refere está também na minha estante...
**: Situação essa que infelizmente tem tendência a repetir-se, o que explica o estado geral de elaboração provisória das meias-páginas que tenho vindo a apresentar neste blogue.
***: Autora de um blogue de título pessoano.
****: Mais mudança, menos mudança...